quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O MOVIMENTO J14 PODERÁ REALIZAR UM GIRO PARA A CAUSA PROGRESSISTA DENTRO DE ISRAEL?



Rompiendo Muros oferece aos leitores a tradução do texto de um jornalista, ativista e político, Ageu Matar e sua visão de dentro do movimento de J14 (Indignados de Israel). Uma visão bem realista e não poderia ser de outra forma, já que se trata de um ativista experiente e bem conhecida contra a ocupação, o apartheid sionista e contra a parede nos territórios ocupado. Neste artigo, ele observa a dinâmica que pode deixar a porta aberta para uma evolução positiva no seio do movimento e a possibilidade de uma mudança histórica, pelo menos em parte da sociedade israelense.

A luta social revolucionária, que está acontecendo hoje em Israel, se aproxima de um momento crítico: ou entra em colapso sob o lema de "necessidades de segurança" e da segregação racial, ou se libertará de todos os dogmas anteriores para construir um novo sistema político.
Talvez seja a hora certa para dizer estas palavras em voz alta: amigos, colegas, colegas de classe - a esquerda vêm lutando por uma causa perdida. Há muito tempo estamos lutando contra a ocupação,o apartheid, o racismo sionista de todos os gostos, com poucos resultados.
Nas últimas décadas, a presença do Estado de Israel nos territórios ocupados palestinos tornou-se cada vez mais sofisticada, mais brutal, mais profundamente enraizada. A discriminação em larga escala contra cidadãos palestinos de Israel continua a ser a política oficial do Estado, levando nos últimos anos uma onda de legislação antidemocrática e racista.. de fato, nem um único refugiado palestino foi autorizado a regressar a Israel ou receber remuneração por mais de 63 anos de exílio.

Não é fácil admitir um fracasso depois de 12 anos de trabalho com colegas palestinos, israelenses e internacionais para a libertação da Palestina. Nós nos manifestamos, marchamos, protestamos e construímos pontes de solidariedade e esperança, além de sermos espancados, baleados e presos.
Meus amigos, muitas vezes tenho me visto como uma pessoa otimista, apesar de tudo o que aconteceu, apesar da cumplicidade da maioria dos judeus israelenses para com o seu governo, eu nunca perdi a esperança de mudança, colocando meu tempo e energia em projetos educativos, palestras, panfletos e escritos, e conversando com as pessoas nas ruas. Eu conversei com soldados enviados para dispersar nossas manifestações pacíficas e conjuntas contra o Muro do Apartheid, tentando fazê-los entender a nossa luta também. Eu ainda acredito nesta estratégia, juntamente com a pressão externa, como as resoluções da ONU e da campanha BDS.

No entanto, eu compreendo perfeitamente os meus amigos palestinos e israelenses que se retiraram do público judeu israelense. Dentro de Israel, quase ninguém parece preocupado com a abolição do regime militar nos Territórios Palestinos Ocupados (TPO). A combinação de privilégios materiais, econômicos e psicológico com o sentimentos de superioridade racial e o medo profundamente enraizado existencial de um "segundo Holocausto" - ensinado nas escolas, na mídia e na política- parecem ter forjado uma barreira inquebrável de proteção de dogmas nacionais coletivos. Adicione a isso o cheque em branco de ajuda dos EUA e EU, e somos forçados a afundar em alguma forma de depressão e pessimismo que nos lavava a duvidar da possibilidade de qualquer tipo de mudança. Até agora.


A IDADE DOS SONHOS

É muito cedo para prever exatamente para onde vai a liderança do movimento de protesto "J14". Mas pela primeira vez em décadas, talvez estejamos testemunhando que o impossível pode se tornar realidade. O que parecia uma fantasia, há seis meses atrás, enquanto víamos o povo no Egito lutando por seus sonhos nas ruas, tornou-se uma realidade viva. Por exemplo, o primeiro dia depois que o acampamento de Rothschild foi instalado, encontrei um jovem amigo de Tel Aviv sem experiência em ativismo político, ele decidiu protestar contra a elite israelense. Em uma discussão sobre a luta, ele foi muito inflexível sobre a necessidade de evitar qualquer discussão não diretamente relacionada com o problema da habitação. Uma semana depois, o encontrei novamente, dando palestras entusiasmadas a seus amigos, dizendo que essa luta deveria ser para mudar todo o sistema econômico, não apenas aluguéis. Fiquei sabendo que ele tem participado em vários workshops sobre a economia, e assistiu um filme que critica duramente a privatização. Essa radicalização nunca antes foi possível devido a questão da “necessidade de segurança militar”, uma cultura e que impera em Israel desde antes de 1948.

No dia seguinte, assistimos a realização da primeira missa nas ruas de Tel Aviv e foi aqui que senti, pela primeira vez, que o povo com o slogan "o povo exige justiça social" pode, na verdade, se referir a todo o povo de Israel e cidadãos, não apenas judeus. Este simples conceito republicano , com o seu potencial radical para a inclusão de judeus e palestinos na corrente principal do movimento contra o capitalismo neoliberal em si, logo vai provar seu valor. A manifestação de uma semana depois, provavelmente a maior manifestação da história de Israel, apresentou um orador palestinos no palco, um cidadão israelense,(Dimi Reider. escreveu sobre isso aqui:

“Apenas sete dias depois, mais de dez campos de refugiados palestinos foram estabelecidas dentro das fronteiras de Israel. Cidadãos palestinos se uniram a liderança nacional da luta. Suas demandas de reconhecimento dos povos "não reconhecidos" e licenças de construção em suas terras estão sendo integradas na agenda oficial na luta. No protesto na noite de sábado passado, que preferiu se concentrar na periferia de Tel Aviv, vi cidadãos palestinos, não apenas como parceiros-chave, mas abertamente iniciadores. Este foi uma frente bi-nacional verdadeiro , não apenas em Jaffa e Haifa, mas também em Beersheba, Afula, onde a população é quase inteiramente judia.

Nos estágios intermediários dessas manifestações, ativistas defendiam a parceria entre judeus e árabes. Raja Za'atry, membro do Superior Comitê Árabe de Monitoramento em Israel, recebeu os manifestantes da "Red Haifa" e disse que "a fome e a humilhação como o capital, não têm nenhum país ou idioma ... Esta luta é de todos! Na manhã de segunda-feira, um comitê oficial foi formado para a liderança da luta, em resposta ao formado pelo governo.
Na entrevista coletiva sobre o lançamento da comissão, um dos quatro oradores, uma mulher palestina, destacou como o governo deixa de lado os cidadãos árabes e como uma demanda por justiça social deve incluir o fim da discriminação racial. O escritor iraquiano judeu e diretor da Associação de Direitos Civis de Israel, Sami Michael, promoveu a mesma idéia em árabe e hebraico, quando falou na manifestação em Haifa.

Na próxima semana, os manifestantes agendaram cada vez mais visitas de solidariedade nos campos de árabes organizados, onde formarão novas comissões para adquirir novos conhecimentos.

SONHOS NÃO TÊM FRONTEIRAS
No entanto, a questão permanece. Para que serve a luta pela justiça social, se esta é omissa sobre o maior crime de todos - a ocupação e roubo de terras palestinas dentro de Israel? Este é um ponto legítimo e fundamental. Finalmente, se essa luta não pode chamar por democracia, igualdade e justiça para todos - definitivamente terá fracassado.

No entanto, penso que esta acusação ocorreu muito rapidamente por aqueles que têm negligenciado o potencial da sociedade israelense para uma mudança. A esquerda radical não é mais uma estranha, mas constitui uma parte importante do movimento. Ativistas de esquerda estão em toda parte, em solidariedade com os sindicatos, que estão se unindo nas favelas que lutam por habitação pública, se reunindo com as comunidades judaicas e palestinas que compartilham essa necessidade, no campo principal de Rothschild e montagem de camping.Tudo está mudando, e nós temos um papel a desempenhar.

O caminho para acabar com a ocupação ainda é longo. O mesmo discurso republicano, que inclui os cidadãos palestinos poderia alienar os palestinos nos Territórios Ocupados. Alguns dizem que poderia prejudicar a demanda por direitos coletivos, e não apenas os direitos individuais, e que a luta deve "apagar" as identidades particulares a fim de promover o chamado "povo unido". Outros acham que o movimento poderia cair nas mãos dos "patriotas" que gostariam de ter o apoio da sociedade judaica para uma nova guerra de opressão contra os palestinos, em setembro (durante a votação da ONU sobre o Estado Palestino) e que isso poderia quebrar o movimento.
É possível que centenas de milhares de pessoas deixem de lado os legítimos interesses militares e comecem a lutar por um novo tipo de segurança, a segurança social. Essa radicalização pode ainda dificultar a retórica do "dever patriótico". Apesar da proximidade da declaração de um Estado palestino, em setembro, os boatos de uma expulsão planejada de tendas fez o mundo inteiro começar a falar sobre uma luta contra as autoridades para mantê-los.

Enquanto isso, a ocupação como uma questão a ser abordada já começou a fazer o seu caminho para a luta. Em Tel Aviv , palestinos e judeus estão conversando com os transeuntes sobre a ocupação e distribuindo panfletos, o que implica a necessidade de rejeitar uma chamada possível de reservistas de emergência r em setembro. Na sexta-feira, a manifestação semanal no Nabi Saleh apresentou uma barraca coberta com slogans como "assentamentos= injustiça" e "justiça social é impossível sob o apartheid.

Um dia antes, a central de cinema ao ar livre de Rothschild passou seu primeiro filme contra a ocupação e do sistema dos tribunais militares nos territórios ocupados ("A lei nestas partes" ) "Não podemos deixar de sentir que a justiça social é algo que não pode parar na Linha Verde ", disseram os organizadores. Em Beer Sheva, o porta-voz dos beduínos, Hannan Al-Sana, falou de identidades coletivas e culturas para ser respeitado e o popular cantor, Ainoã Nini, disse que não vai confiar na atual administração, se optar pela guerra. Em Haifa, Za'atary alertou que o interesse do capital é iniciar uma guerra para silenciar os protestos, mas insistiu em uma luta conjunta pela justiça, paz, igualdade e um futuro melhor e justo para ambos os povos."

Isso não quer dizer que vamos ver uma onda de novos campos na Cisjordânia e em Gaza, pedindo para enviar representantes para a "montagem dos acampamentos," e a unidade da luta do povo palestino na luta social. Não em absoluto. A segregação e opressão militar usada contra militantes políticos nos territórios ocupados é provavelmente muito enraizada para permitir tal coisa, e ambas as partes terá, provavelmente, suspeitas entre si, se isso tornar-se uma realidade. O que isto significa é que nós, palestinos e judeus, os parceiros na luta pela liberdade, democracia, paz e igualdade já podemos sonhar com um efeito duradouro sobre a política mainstream - e que podemos tentar realizar este sonho.


Autor: Ageu Matar-Ativista israelense, jornalista e político, incidindo principalmente sobre a luta contra a ocupação. Está atualmente trabalhando em Zman Tel Aviv, jornal Maariv suplemento local, e o hebraico website MySay independente.

Traducción para o espanhol: Fernando Casares
Tradução para o Português : Beth Monteiro



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ESTUDANTES SUL-AFRICANOS BLOQUEIAM CHEGADA DE UMA DELEGAÇÃO ISRAELENSE



O Aeroporto Internacional de Johannesburgo se pôs em alerta vermelho, ontem ( 11/8) pela manhã, devido a chegada prevista de uma delegação de Israel. Os planos da delegação local, a “União Sul - africana de Estudantes Judeus”, para dar boas-vindas a seus colegas israelenses "hasbaráticos" foram frustrados com a chegada da delegação israelense ao Aeroporto Internacional em meio a muitas controvérsias.

Na semana anterior, estudantes do Congresso Sul-africano (SASCO) emitiram um comunicado às suas delegações provinciais : “Exortamos a todos os estudantes, em todas as instituições de educação superior, a boicotarem qualquer atividade organizada por estes agentes israelenses. Qualquer estudante que opte por cooperar com o apartheid do regime israelense é um inimigo do progresso”.
Vendo que sua chegada a Joanesburgo não seria bem-vinda , a delegação israelense se viu obrigada a mudar seus planos de viagem. O comitê de boas-vindas teve que ser cancelado.

Membros do grupo "hasbarático" israelense tiveram que ser escoltados em sua saída pela porta dos fundos e sob disfarce. Nenhum deles foi capaz de caminhar livremente em área pública do terminal com qualquer parafernália desportiva de Israel.
O SASCO e a União dos Jovens Comunistas, que pediram a seus membros para estarem presentes no aeroporto, criativamente ignoraram todos os obstáculos em lugar de limitar as ações. SASCO tinha uma forte equipe de 50 pessoas implantado, a partir de 06:00h, em pontos estratégicos do terminal de chegadas do aeroporto. Membros do SASCO foram instruídos a convergirem para as linhas de piquete, se o host local fizessem qualquer esforço para acolherem seus homólogos israelenses.

Ao saber que a delegação israelense "viria com espiões" dirigentes da YCL, SASCO e alunos se reuniram fora do terminal de chegadas internacionais. Acompanhado por estudantes de Wits University e da Universidade de Joanesburgo, o grupo, ao mesmo tempo exibiram camisas vermelhas com várias mensagens em negrito, como " Repudiamos o apartheid israelense", " Repudiamos os criminosos de guerra israelenses" e "Israel é culpado crimes de guerra. Eles também carregavam cartazes com mensagens semelhantes e gritaram palavras de ordem.

Themba Masondo, um estudante da Universidade de Wits, se dirigiu à multidão: "Hoje, ficou claro para os propagandistas israelenses e simpatizantes do apartheid israelense: este programa não é bem-vindo na África do Sul . Vamos protestar , vamos boicotar. Vamos E... vamos chamar os nossos policiais para prender os envolvidos em crimes de guerra israelenses ... Somos muitos, nossa causa é justa ... vamos vencer."

A delegação de Israel anunciou que um grupo de estudantes queriam o diálogo, no entanto, o Grupo de Trabalho pelo Boicote, Desinvestimento e Sanções (uma organização com sede em Joanesburgo) recorreu dessa chamada e revelou, numa conferência de imprensa na semana anterior, que a maioria dos delegados eram de fato estudantes israelenses, mas parte deles pertence ao governo israelense. Por exemplo, mostrou que dois dos delegados israelenses disseram que os alunos trabalharam no parlamento israelense. Um deles é o vice-presidente e um é conselheiro político do governo.

Além disso, o Grupo de Trabalho pelo BDS observou que praticamente toda a delegação já serviu ou está servindo nas Forças de Defesa de Israel (IDF), em várias unidades de combate de elite e até mesmo no ataque israelense em Gaza em 2009.Na segunda-feira, uma organização progressista em Israel, juntamente com um prêmio da União Europeia para os Direitos Humanos, enviou uma carta às autoridades judiciais da África do Sul, reiterando a participação do grupo de visitantes no IDF de Israel e sua ligação com prováveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Kate Joseph , do “ Wits Comitê de Solidariedade com a Palestina” disse: "Se o hasbarático grupo veio para fazer relações públicas israelenses, estão fazendo um trabalho inútil. Entretanto, sua chegada na África do Sul reforçou a solidariedade com a Palestina e a chamada crescente, em nosso campus, para um boicote de base ampla contra Israel.Os estudantes de Wits, UJ, UCT e em outros lugares estão comprometidos com a não-violência, ações diretas são esperados nos próximos dias sobre os delegados israelenses quando visitarem o campus."

Informe del Grupo de Trabajo BDS Sudáfrica
Fuente: Labournet
Traducción. Fernando Casares
Tradução: Beth Monteiro

sexta-feira, 15 de abril de 2011

GRITANDO AO VENTO


Continuar a construir um mundo colorido.
Vittorio vive entre nós!


15/04/2011 por Manuel Tapial

Hoje eu acordei com uma mensagem de texto, um ativista do ISM, confirmando as imagens dos meus pesadelos de hoje à noite: a morte de Vittorio Arrigoni, um ativista italiano que levou mais de três anos coletando informações a partir da Faixa de Gaza, mantendo-nos informados diariamente do sofrimento que estava causando o bloqueio e também a vida intensa que, apesar do bloqueio, os palestinos conseguem levar.

Não tenho dúvidas de que a morte de Vik não foi por acaso. Há pouco menos de uma semana também foi assassinado por desconhecidos Juliano Mer-Kamis, fundador do Teatro da Liberdade, uma outra morte que certamente não foi por acaso.
Nos últimos tempos, o Estado de Israel tem intensificado a construção dos assentamentos e o assédio à Gaza , apesar da resistência do povo palestino. Além disso, Israel tem sido dominado pela maré humana de solidariedade internacional ao povo palestino, que tem aumentado nos últimos anos, tendo seus maiores expoentes em duas campanhas: a do Boicote, Desinvestimento e Sanções e a da Flotilha da Liberdade que navegará, em sua segunda missão, no final de maio deste ano.

Israel tentou por todos os meios minimizar o impacto de ambas. O parlamento israelense, tem procurado fórmulas legais para perseguir e assediar as pessoas de Israel e as organizações de direitos humanos dentro de Israel que não concordam com as políticas de colonização, apartheid e judaização promovidas pelo governo israelense.

No caso da Flotilha da Liberdade, Israel enviou uma mensagem clara ao mundo, em 31 de maio de 2010, quando atacou a frota, matando nove trabalhadores humanitários, oito turcos e um turco - americanos, ferindo mais de 60 deles : " A hegemonia na região passa por Israel e que estava acima de qualquer lei". O custo desta ação de Israel foi tão alto em nível internacional após a colisão que nos leva à conclusão que a inteligência israelense infiltrou um grupo específico para espionar ativistas e a organizações de luta da Flotilha, como foi publicado em vários meios de comunicação, citando fontes da inteligência israelense.

O governo israelense tem feito, nos últimos meses, uma ofensiva diplomática , pedindo apoio da Itália de Berlusconi. Shimon Peres atravessou a Espanha e outros países europeus a procura de uma fórmula que fizesse nossos governos pararem nossos navios que farão parte da próxima Flotilha da Liberdade, tentando encontrar um caminho mais lógico do que as leis que não permitem que os governos parem as missões humanitárias da sociedade civil, se elas estiverem dentro da legalidade. O último país a responder a estes pedidos para parar o barco da Flotilha foi a Turquia.

Parece que a falta de apoio político e diplomático gerou conflitos no governo israelense. Nos últimos dias, temos visto declarações contraditórias do executivo de Israel. Enquanto Netanyahu vai à TV pública israelense dizer que deixará os barcos chegarem em Gaza, depois de uma inspeção da carga por competentes autoridades internacionais, comandantes militares israelenses anunciavam que estavam treinando as diferentes maneiras de abordarem os barcos, advertindo que qualquer cenário de abordagem implicaria a perda de vidas dos doadores.

O nervosismo de Israel pode, porque continua a ser uma hipótese, ter sido demonstrado nos assassinatos de Julian e Vittorio também. Dois homens de paz. Um israelense e um internacional. Dois assassinatos que poderiam ter um significado claro. No assassinato de Juliano, parar suas ligações com a sociedade palestina e sua luta por uma sociedade baseada na igualdade, no respeito, na tolerância, no amor à vida, na educação e na a arte. Estes valores são muito perigosos no contexto da supremacia militar porque amplia ainda mais a crescente rejeição global do que significa, para os palestinos, o Estado de Israel.

No caso de Vittorio, a ternura e solidariedade devem ser punidas como foi anteriormente a Flotilha da Liberdade.Uma mensagem clara de intimidação como a lançado em 2008 contra ele. Creio que as ameaças e intimidação das mais diversas formas que os membros da Frota vêm sofrendo me dizem que esses dois assassinatos não são inocentes e têm um denominador comum. Alguém enviou uma mensagem clara , a partir de Israel para a Palestina, tendo em vista os ativistas internacionais.
Eu não penso só no Grupo Salafista. Eu mesmo já estive em campos de refugiados palestinos do Líbano. Eu andava por aqueles bairros onde percebemos que é perigoso estar, mas que nosso trabalho e nosso compromisso fazem com que sejamos respeitados e aceitos por todos os grupos. Suspeitos estão por toda parte, mas eu acho que o Grupo Salafista pode servir a interesses externos, como muitos que conheci em minhas viagens ao Oriente Médio, financiado pela Arábia Saudita, o Mossad, CIA, etc ...

De qualquer forma, quem quer que tenha assassinado Vittorio Arrigoni, com certeza estará entre nós de volta à Gaza na próxima Flotilha no final de maio. Vittorio Arrigoni foi uma das nossas referências e fonte de inspiração para homens e mulheres da Flotilha, e como todos os grandes homens que fizeram história, ele foi assassinado pelos tolos que servem aos interesses estrangeiros e que sob nenhuma circunstância buscam a paz.

Vittorio vive. A luta continua!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"ESTE É O VELHO SONHO DA INTIFADA ÁRABE"


A revolução em curso no Egito, está sendo observado de perto por jovens de Gaza, que a vê como uma fonte de fortalecimento e inspiração. Ela agitou os nossos sentimentos e nos levou a tomar as ruas para mostrar nossa solidariedade com os nossos vizinhos, no Egito. Tentamos absorver todos os eventos minutos a minuto, de modo a levá-lo conosco ao longo dos anos, quando seremos capazes de dizer aos nossos filhos como estávamos orgulhosos de ter vivido um dos eventos maiores e mais inspiradores na história do mundo árabe.

É comum entre os jovens educados de Gaza acharem que as gerações mais velhas, que viveram a década de 1950, são veteranos, cuja experiência e conhecimento lhes dá autoridade para falar sobre a atual situação política - mesmo quando percebem que suas análises estão longe de serem precisas.

Na verdade, muitas delas não são inteligentes nem muito claras, falando só por falar, com discursos, às vezes, absurdos e ineficazes. Por que ouvi-los, entretanto? Ouvimos porque nós, a geração mais jovem, sabemos que eles viveram momentos cruciais na história dos árabes e palestinos, através de muitos eventos políticos seminais como a Agressão Tripartite sobre o Egito, em 1956: a agressão israelense na Guerra dos Seis Dias, em 1967; a Batalha de Karamah , 1968; a guerra de outubro de 1973, a guerra israelense no Líbano em 1982, entre muitos outros. Enquanto isso, a minha geração tem agora ultrapassado aos mais antigos, não só na diversidade e na imensidão de acontecimentos que temos presenciado, mas também no papel influente que nós, como jovens, temos desempenhado na promoção da mudança - o último deles está sendo a atual revolução egípcia. Seja qual for suas implicações para os palestinos, toda a população de Gaza está unida em apoio à revolução e se solidariza com o povo egípcio.

As pessoas em Gaza não tem m ódio apenas de Hosni Mubarak, mas também querem o fim de seu sistema de governo despótico. Ele é visto, pelos palestinos, como um aliado próximo do seu opressor, Israel. Além disso, os laços entre o povo palestino e egípcio são inquebrantáveis e a identificação dos palestinos com esta revolução é profunda e imensa.É como se fisicamente, tomássemos parte na revolução.Os jovens de Gaza, como eu, sentem essa revolução como se fosse nossa. Refletindo sobre a revolução, um amigo me disse: "Este é o velho sonho da Intifada árabe. Eu assisti o desenrolar dos acontecimentos e sinto que a liberdade dos egípcios é a minha liberdade como um palestino. Fiquei impressionado com tamanha felicidade. Eu gostaria de estar no Egito”.

O que deve ter provocado um sentimento profundo de identificação com o povo egípcio em meu amigo não foi apenas a consciência das causas políticas da revolução, ou pensando em suas conseqüências, mas a conexão espiritual que os oprimidos sentem uns com os outros.Essa conexão foi formada ao longo dos anos e atingiu seu auge na década de 1950, quando milhares de refugiados palestinos foram para o Egito, depois da Nakba, a expulsão dos palestinos de sua terra natal, em 1948.
O Egito era considerado o guardião da luta dos povos palestinos até que o tratado de paz de 1979,entre Egito e Israel levou a liderança política do Egito para outra direção. Isso pode explicar porque os palestinos reagiram sinceramente à revolução tunisiana no início deste mês, mas o sentimento talvez não fosse tão grande como o caso com a revolução no Egito.

Sentindo as grandes mudanças iminentes na região, enviamos nossas orações para o povo egípcio, pelo seu bem-estar e segurança, e espero que rompam as amarras do medo e da opressão e façam florescer a sua revolução sem medo e sem precedentes contra a corrupção política, a tortura, a injustiça social e pobreza extrema. Oramos para que o povo egípcio realize seus sonhos e estabeleça seu próprio governo democrático. Em uma região caracterizada por regimes ditatoriais, os egípcios e tunisianos ressuscitaram a nossa fé no poder do povo para trazer justiça, liberdade e igualdade - uma fé que antes destes acontecimentos quase se derreteu.

Mohammed Rabah Suliman é um estudante de literatura Inglês na Universidade Islâmica e blogs na http:/msuliman.wordpress.com .

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

TUNÍSIA: MUHAMMAD BOUAZIZ COLOCOU FOGO NO CORPO E INCENDIOU O PAÍS


Depois da erupção dos protestos em vários países da Europa contra o corte de direitos trabalhistas e sociais, mobilizações de massa puseram fim a 23 anos de regime repressivo na Tunísia, derrubando o governo de Zine El Abidine Ben Ali, considerado como o mais estável entre os regimes árabes, sinalizando uma nova etapa de levantes revolucionários em vários países.

A onda de protestos eclodiu a partir da auto-imolação de Muhammad Bouaziz, que apesar de graduado em curso superior, não conseguia encontrar um trabalho regular e foi privado, por parte das autoridades, do seu magro sustento, vendendo verduras. Ele colocou fogo em seu próprio corpo e incendiou o país.

Com a queda do governo de Ben Ali,representantes da elite tunisiana tentaram uma contra-ofensiva: sob o disfarce de "governo de unidade nacional", prometeram eleições. Mas o estado de emergência e toque de recolher permaneceram.

As condições sociais que levaram à revolta popular na Tunísia predominam em todo o Magrebe e no Médio Oriente e são semelhantes à situação da classe trabalhadora nos países europeus que enfrentam duros ataques ao seu nível de vida devido à crise econômica global.

A burguesia da Tunísia, dos demais países árabes e o imperialismo estão muito preocupados com a queda de Ben Ali,principalmente com os protestos em massa nos países vizinhos. Manifestantes no Egito, Argélia e Mauritânia fizeram protesto de auto-imolação como o que inicialmente estimulou os protestos na Tunísia,além disso, houve protestos populares em vários países da região.

Mohammad al-Sabah, representante do Kuwait, disse em uma reunião preparatória dos ministros dos Negócios Estrangeiros, "O mundo árabe testemunha, hoje, uma revolução política sem precedentes e desafios reais na esfera da segurança nacional”, acrescentando em seguida que “ os países Árabes estão se desintegrando com as revoltas conduzidas pelas massas”. Jackson Diehl, membro do conselho editorial do Washington Post, escreveu na sexta-feira,14/01: "A ameaça mais iminente aos interesses dos EUA no Oriente Médio não é uma guerra, é uma Revolução".

Enquanto Hillary Clinton mudava seu discurso para se adaptar à nova realidade , dizendo que os Estados Unidos deixava de ser neutro para apoiar os protestos na Tunísia, a Liga Árabe assumiu a defesa da "estabilidade", o que significa o aplastamento do movimento de massas. Kaddafi, da Líbia, defendeu abertamente Ben Ali contra os manifestantes e advertiu sobre a eminência de uma nova revolução bolchevique.

O sindicato dos Trabalhadores (UGTT), que apoiou Ben Ali nas últimas duas eleições presidenciais,apressou-se a aderir ao governo de “Unidade Nacional”. Mas centenas de pessoas marcharam até à sede da Central para protestar contra a sua participação no governo. O resultado foi a renúncia do primeiro-ministro e do presidente interino, apenas algumas horas depois da posse.

O povo palestino, que luta há mais de seis décadas contra a ocupação colonial, o genocídio e a apartheid praticada pelo Estado fascista de Israel, terá muito mais chance de vitória se as massas dos países árabes se levantarem para derrubar os regimes ditatoriais, corruptos e subservientes ao imperialismo e construírem, nessa luta, um programa que aponte para a construção do Socialismo com Democracia em todos os países do O.M. O levante da Tunísia é apenas o primeiro passo dessa caminhada. Por isso precisa do apoio efetivo dos trabalhadores de todo o mundo.

Beth Monteiro

domingo, 5 de dezembro de 2010

WIKILEAKS:ATAQUE CIBERNÉTICO DE ISRAEL/WASHINGTON



A “Operação Wikileaks” prepara o controle ideológico dos portais progressistas.

Os serviços secretos de Israel e da CIA obtiveram uma grande vitória em sua guerra cibernética. Depois de estropiar as centrífugas do programa nuclear iranianiano (Natanz) usando um software maligno (Stuxnet), conseguiram utilizar a Wikileaks e Julian Assange como vetores de uma agressão cibernética em grande escala, contra seus “inimigos”. O método é usual na guerra no ciberespaço: mesclar documentos verdadeiros, mas triviais, com falsificações que servem como mísseis teleguiados contra os verdadeiros alvos.

A autoria dessa agressão cibernética se aclara com este axioma da criminalidade: quem se beneficia com o crime? O padrão dos documentos proporciona a resposta: Israel, Washington e o imperialismo ocidental em geral, incluindo seus satélites mercantil-feudais árabes. Prejudica grosseiramente, com suas mentiras, uma série de alvos particulares: Irã, que supostamente seria odiado pelo mundo árabe; China, que presumivelmente aceita o futuro domínio estadunidense sobre a Corea do Norte; Brasil, que aceita o futuro domínio estadunidense, cujo Ministro de Defesa Nelson Jobim seria informante de Washington; Bolívia, cujo presidente, Evo Morales, teria um grande tumor na cabeça e a Venezuela bolivariana que seria refúgio do ETA, das FARCs como Cuba.

Além disso , a “Operação Wikileaks” prepara o controle ideológico sobre a internet e aos portais progressistas. Um mundo fundamentalmente antidemocrático, porque o mundo capitalista atual não pode permitir o livre fluxo de informações e debates na internet. Declarar Wikileaks uma organização terrorista, matar ou encarcerar Assange, como tem solicitado importantes setores da classe política estadunidense, seria um grande passo adiante na Gleichschaltung hitleriana (uniformização mental) que os amos do sistema requerem ante à crise do sistema capitalista mundial. Outros portais, como www.kaosenlared.net y www.aporrea.org, apareceriam logo na lista negra por apologia ao terrorismo e antissemintismo.

A autoria do delito cibernético de Israel/ EUA não só se revela ante ao princípio cui bono do Direito Romano, mas também ante a absurda pretensão logística de que um jovem soldado homossexual, Bradley Manning*, da 10a Divisão de Montanha dos Estados Unidos, estacionado em uma remota base militar em Iraque (FOB Hammer), pode selecionar, copiar e reenviar 260.000 documentos classificados (!!!). Se Manning pudesse fazer isto, deixaria Bill Gates como um mero aprendiz de computação.

A obstrução das centrífugas nucleares do Irã em 2010, em Natanz, seguiu o exemplo de uma exitosa operação da CIA contra o gasoduto da ex- União Soviética nos anos 80, levada a cabo sob às ordens de William Casey. Quando a CIA soube que Moscou iria comprar e piratear um sofisticado softwere canadense para as bombas, turbinas e válvulas de um novo gasoduto na Sibéria, não bloqueou sua venda, senão introduziu ,em conluio com a empresa canadense, uma bomba inteligente, um malware (Trojan Horse) no softwere que alterava os parâmetros de velocidade e pressão do sistema, fazendo-o explodir em 1981.

A operação contra o centro nuclear iraniano de Natanz segue este mesmo modelo. Os serviços ocidentais se infiltraram nas redes de compra do Irã para um novo reator e introduziram um novo softwere nas centrífugas o vírus “Stuxnet”, desenvolvido às claras pela inteligência militar israelense. Como o “Cavalo de Troia” de 1982, o Stuxnet fez flutuar a velocidade e pressões das centrífugas que, atuando em cadeia, se destroem. Calcula-se que a capacidade operativa das centrífugas de Natanz se reduziu em uns 30 com cento por este ataque virtual.

O modo de operação da CIA e do Mossad abarca três passos: 1) necessitam de informações preliminares sobre os planos do “inimigo”. No caso do Wikileaks, Adrian Lamo, um hacker com quem Mannings se correspondia, informou ao FBI; 2. Sobre essa informação, decidem de que forma atuar. Nos casos da ex-URSS, de Natanz e de Wikileaks, resolveram não bloquear, de frente, a operação planejada, senão aproveitá-la para uma operação cibernétical própria da contrainteligência. 3. Os grandes meios de doutrinação burguesa e os respectivos governos manipulam os eventos criados por eles, durante longo tempo. Nesse sentido, os documentos de Wikileaks serão como uma fonte intocável de guerra psicológica e física contra os adversários do império.
As operações virtuais e desinformação são apenas um aspecto dos projetos de desestabilização dos EUA e Israel, como demonstra seu exitoso programa de assassinatos de cientistas nucleares iranianos. Venezuela com sua extensa rede de gasodutos e oleodutos, cujo software é parcialmente operado desde satélites, com sua monoestrutura elétrica, com suas fronteiras selvagens e marítimas abertas e uma forte quinta-coluna interna, tem que se preparar muito bem para neutralizar a investida que Washington/Tel Aviv vem preparando para o país de Bolívar.

Heinz Dieterich
como www.kaosenlared.net como www.kaosenlared.net

*O soldado americano Bradley Manning, de 22 anos, vive hoje em uma "solitária", à espera do julgamento em corte marcial em 2011. Antes de ser isolado do mundo, porém, o jovem teve acesso, durante 14 horas por dia, sete dias por semana, ao longo de oito meses, a uma rede gigantesca de informações secretas do Departamento de Estado americano a partir de seu posto de trabalho, em Bagdá. Ao decidir apagar os arquivos MP3 de Lady Gaga e copiar em seu lugar 1,6 gigabytes de dados em um CD regravável, Manning protagonizou o maior vazamento de informações da história. Nas mãos do australiano Julian Assange e do site WikiLeaks, esses 250 mil relatórios escritos por diplomatas de embaixadas dos Estados Unidos vieram à tona no último domingo e, desde então, já começam a mudar o modo de se fazer diplomacia.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

BOICOTE E RESISTÊNCIA: ISRAEL E ÁFRICA DO SUL



O que hoje torna o boicote a Israel mais massivo e popular é acima de tudo o massacre selvagem da população de Gaza pelo Tsahal(as Forças armadas de Israel) e a resistência encarniçada dos combatentes palestinos. A vitória da resistência libanesa de 2006, dirigida pelo Hezbollah, preparava já, a mudança na opinião internacional.

A luta pela abolição do apartheid na África do Sul pode servir de referência à atual luta pela Palestina.Nelson Mandela forjou a sua reputação internacional em 1963, quando era advogado de doze combatentes sul-africanos aprisionados, incluindo ele próprio, acusados de sabotagem. No decorrer do processo, afirmou veementemente “sem violência, não há via que permita ao povo africano triunfar na luta contra a supremacia dos brancos (…). Escolhemos desafiar a lei. Primeiramente, por meios que evitaram o recurso à violência. Depois, tendo sido esses meios também interditos por lei, decidimos responder à violência com violência” (processo de Rivonia).

Mandela, que três anos antes tinha fundado o braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC), foi o Umkhonto We Siswe ou seja, o Guerreiro da Nação. Quando foi preso em 1962, após dezessete meses de clandestinidade, foi acusado de sabotagem e de tentativa de golpe de estado violento. Foi graças à defesa intransigente da luta revolucionária do seu povo que Mandela recebeu um amplo apoio internacional e se tornou o mais célebre preso político do mundo.

Depois do massacre do Soweto, em 1976, numa carta dirigida ao povo sul-africano, Nelson Mandela declara rezar pelos mártires e exorta os jovens a empenharem-se massivamente na luta. Na sequência deste apelo, milhares de jovens sul-africanos partiram para Angola e Moçambique para participarem a luta armada.

Assustado com a popularidade sempre crescente do prisioneiro Mandela, o governo sul-africano propôs-lhe repetidamente a libertação, sob a condição de rejeitar a luta armada como arma política. A resposta de Mandela foi sempre muito clara: NÃO.

A juventude dos nossos dias tem o direito de saber que a arma do boicote internacional contra o apartheid na África do Sul funcionou como um apoio à luta revolucionária do povo e às suas organizações nacionais. Que o povo sul-africano utilizou todos os meios ao seu alcance para derrotar o regime racista, decorrente da colonização e aliado de Israel. E que foi esta luta de massas, incluindo a luta armada, que permitiu ao boicote internacional funcionar como uma poderosa alavanca da solidariedade mundial.

A juventude dos nossos dias tem o direito de saber que o resistente Mandela, cristão, pacifista numa primeira fase e depois defensor da luta armada e aliado dos comunistas, foi um dos primeiros combatentes a ser apelidado de “terrorista”. A sua organização, o ANC, de que era membro desde 1943, foi ilegalizada pelo governo sul-africano em 1960. Tendo sido condenado por terrorismo em 1964, só em Julho de 2008 a administração Bush retirou o nome de Mandela da sua Terror Watch List (Lista de Vigilância do Terrorismo).

A juventude dos nossos dias tem o direito de saber que, em nome desta luta contra o terrorismo, o governo sul-africano, tal como o governo israelita de hoje, não só encarcerou centenas de combatentes, mas também encomendou o assassinato, por esquadrões da morte, de dezenas de responsáveis políticos do movimento de libertação sul-africano.

Tal como o massacre de Gaza e a resistência armada do Inverno de 2008/2009, foi o massacre de Soweto e o subsequente desenvolvimento da luta de massas de 1976 que conferiu uma amplitude internacional ao movimento de boicote, cujas primeiras sanções tinham começado nos finais dos anos 60.

A liquidação do apartheid na África do Sul foi o resultado de uma articulação permanente entre todos os meios de luta no terreno e a solidariedade internacional, de que o boicote foi o ponto culminante.
O boicote do sionismo existe desde a sua implantação pela Liga Árabe em… 1945! Desde 1948, é sobretudo a luta encarniçada do povo palestino, usando todos os meios ao seu dispor, que resiste ao colonialismo e às permanentes guerras do sionismo. E é porque o povo palestino continua a resistir que devemos desenvolver com todas as nossas forças o movimento de boicote a Israel, que começa finalmente a tomar a amplitude necessária.

O boicote não é uma alternativa à resistência, é um apoio a essa resistência. E para que esse boicote seja completo e coerente, deve conter um apelo de retirar das listas de organizações terroristas o Hamas, a FPLP ( Frente Popular para a Libertação da Palestina) , a FDLP (Frente Democrática para a Libertação da Palestina) e todas as organizações palestinas de resistência. E isto com tanta paixão como a que pusemos quando cantamos e gritamos, anos e anos, “Free Nelson Mandela”.


Adaptado de uma tradução para português de Maria Rodrigues
Fonte: http://www.jornalmudardevida.net/?p=1817

domingo, 7 de novembro de 2010

O QUE É VERDADEIRAMENTE INDIGNO E ILEGAL?


Este artigo é uma resposta do jornalista e escritor francês, Michel Collon, aos comentários de Pascal Bruckner, Bertrand Delanoë, Alain Finkielkraut, Bernard-Henri Lévy, Yvan Attal, Pierre Arditi, Michel Boujenah, Patrick Bruel e outros, no Jornal francês Le Monde

«O boicote a Israel é uma arma indigna», escreveram vocês, na edição de segunda- feira (01/11) no Le Monde. Com uma certeza assombrosa, afirmam que “a justiça francesa não tardará em confirmar a ilegalidade do boicote”. Segundo vocês, todos os que querem ajudar assim os palestinos a obterem seus direitos, estariam fora da lei. E para isso argumentam que: “Não se pode aplicar um tratamento deste à democracia de Israel.”

Como podem chamar de “democrático” um estado que foi construído com a violência, expulsando os palestinos de suas casas e de suas terras em 1948? Um estado que sempre teve a limpeza étnica entre seus planos:
«Devemos expulsar os árabes e ocupar seu lugar” (David Ben Gorem, 1937).

«Entre nós, deve ficar claro que neste país não há lugar para dois povos. A única coisa que se pode fazer é transferir todos os árabes daqui para os países vizinhos. Não deve sobrar nenhuma pessoa, nem uma tribo.» (Joseph Weitz, 1940.

«Os palestinos nunca existiram» (Golda Meir, 1969).

«Cada um de nós devemos nos apoderar de todas as colinas que pudermos para ampliar as colônias, porque tudo que tomarmos, agora, será nosso...” (Ariel Sharon, 1998).

Como podem chamar de “democrático” um estado que rechaça o retorno das pessoas que expulsou e segue roubando sistematicamente de suas terras, enquanto finge que negocia? Sejamos claros:um estado colonial, baseado no roubo de terras e na expulsão do povo nativo, nunca será uma democracia. Embora tenha um parlamento, embora os ladrões discutam democraticamente entre eles sobre a melhor maneira de roubar, segue sendo um estado de ladrões que se impõe pela força.

O boicote é ilegal?
Em absoluto, já que sua finalidade é fazer com que as leis sejam respeitadas. Ter expulsado os palestinos de seu país, em 1948 e negar seu legítimo direito de retorno a seus lares é um desrespeito às leis i internacionais, afirma a ONU. Conquistar mais territórios pela força é ilegal. Impedir que os palestinos vivam em suas terras, trabalhem, estudem ou circulem é ilegal. Destruir suas casas e suas oliveiras é ilegal. Encarcerar crianças de doze anos é ilegal. Construir um muro de separação, roubar a água e as terras dos territórios ocupados é ilegal. Utilizar armas de fósforo e laser é ilegal. Bombardear casas, escolas, hospitais, ambulâncias e prédios da ONU é ilegal. Torturar é ilegal. Assassinar dirigentes palestinos é ilegal. Matar defensores da paz em águas internacionais é ilegal.

Frente a essas ilegalidades, o que faz a ministra francesa da justiça? Pede que sancione o estado que comete essas ilegalidades? Impede a importação pela França de produtos procedentes dessas terras roubadas? Não. Ela ataca quem denuncia esses crimes.E vocês apóiam essa ministra que zomba do direito internacional. Assombroso!
Vocês escrevem: «Somos firmemente contrários ao boicote porque somos partidários da paz». Mas o Boicote já existe!Há mais de sessenta anos, Israel boicota os palestinos e vocês não fazem nada contra isso. Dado que os dirigentes israelenses atuam segundo a relação de forças, o boicote é uma arma perfeitamente digna para impor a paz. Como o foi contra o apartheid na África do Sul.

Vocês escreveram: “Uma coisa é a critica, outra é o rechaço, a negação e, em definitivo, a deslegitimação”. Mas Israel, há mais de 60 anos, vem rechaçando, negando e deslegitimizando os palestinos. Isso não causa indignação em vocês?
Vocês escreveram que: «Ceder ao chamamento ao boicote equivale dizer que já não se pode mais negociar». Isso não é correto. A solução existe; é muito simples, como acaba de recordar o músico Gilda Atzmon: « Os israelenses podem acabar com o conflito num abrir e fechar de olhos. Amanhã, pela manhã, ao levantar-se, Netanyahu devolve aos palestinos as terras que lhes pertencem».

É pedir muito? Em 1968, as organizações palestinas fizeram grandes concessões ao propor que se formasse um só Estado democrático, progressista, laico, onde judeus, cristãos e mulçumanos poderiam viver em paz, desfrutando dos mesmos direitos. Foi Israel que se negou e segue negando. É Israel que se aferra à sua obsessão de um estado etnicamente puro, reservado aos judeus. Por que vocês não assinam grandes chamamentos contra isso?

É pedir muito? Os palestinos têm aceitado, inclusive, conformar-se com 22% de seu território original, mas Israel também rechaça esta proposta e segue roubando mais terras, pouco a pouco; e vocês não fazem nada contra isso.

Definitivamente, não é o Boicote que é indigno! É a atitude de vocês que é indigna. Porque tudo o que acabo de escrever, sabem vocês muito bem. Ao ocultar tudo isso da opinião pública, vocês estão contribuindo para a desinformação. Que interesses estão ocultos por trás dessa atitude?

Suspeito que verdadeiramente indigno, em seus escritos, são suas motivações. Em meu livro, “Israel: vamos falar sobre isso?” assinalo que os três grupos midiático mais poderosos da França - Lagardère, Dassault e Bouygues - estão em mãos de famílias riquíssimas que fazem grandes negócios com Israel e lhe fornecem armas e demais instrumentos para a colonização. De modo que se um artista ou intelectual francês criticar esses grupos e ousar dizer a verdade, terá que dizer adeus à sua carreira, à sua fortuna! Como dizia Bertolt Brecht: « Aborrecer os possuidores é renunciar às posses».

Quem lê seus artigos e publicações, quem escuta seus argumentos, deveria se fazer esta pergunta fundamental: “Que interesses se escondem por trás dessas abordagens?”

* Fontes das citações: Michel Collon, Israël, parlons-en!, Couleur Livres, Investig’Action, Bruselas, 2009, pp. 297-299.

Fuente: michelcollon.info

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SENADORA DA FRANÇA, QUE APOIA O BDS CONTRA ISRAEL, FOI LEVADA AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA


A repressão contra ativistas BDS está em plena escalada na França. A perseguição à senadora Alima Boumediene-Thiery, que há um ano participa do boicote BDS na região de Paris e que apoia ativamente a campanha BDS, é um caso escandaloso. Seu julgamento aconteceu em 14 de outubro no tribunal de Pontoise (norte de Paris). Como todos os outros ativistas perseguidos , ela é acusada de "incitar ódio racial" e "discriminação contra a nação de Israel."

O autor da ação, Sammy Ghozlan, um conhecido lobista sionista que pediu a todos os tribunais franceses condenasse os militantes do BDS, conta com apoio integral do governo francês . Ghozlan apresentou mais de 80 denúncias de racismo contra ativistas franceses. Ele é um louco fanático que escreve artigos nos sites dos colonos israelitas, não só contra os palestinos, mas também contra Richard Goldstone a quem chamou de “bastardo” e outros adjetivos impublicáveis.

Este processo envolveu um membro do parlamento que poderia perder o direito à reeleição, se fosse condenada. E serviria de teste porque abriria precedentes para futuras condenações . E muitas pessoas ficariam felizes de se livrar dela, porque Alima está ativa em várias frentes "desconfortáveis", como a questão dos imigrantes, a islamofobia, a situação dos prisioneiros e combate a todas as formas de leis discriminatórias e repressivas.

Quando era membro do Parlamento Europeu em 2002, Alima Boumediene arrastou votos a favor da suspensão dos acordos comerciais entre a Europa e Israel com privilégios enormes para Israel e que os governos europeus têm ignorado, apesar da oposição da maioria dos deputados. Ela visitou várias vezes Gaza e Westbank, compilando relatórios alarmantes.

Ativistas do BDS realizaram ações de protestos em todo o país antes de 14 de outubro, e uma grande manifestação no Tribunal no dia do julgamento da senadora. Os demandantes e procuradores que atacaram os parlamentares Alima Boumediene-Thiery e Omar Slaouti pela participação deles em uma ação de boicote a produtos israelenses na loja Carrefour de Montigny, foram derrotados no tribunal de Pontoise.
Depois que advogado de defesa de Boumediene argumentou que existem muitas irregularidades cometidas pelos reclamantes, neste caso, os juízes nem sequer consideraram necessário ouvir e desenvolver argumentos sobre os méritos.

Militantes apoiaram maciçamente Alima e Omar Slaouti e reafirmaram a sua determinação em continuar a campanha de boicote, desinvestimento e sanções (BDS) contra Israel . Eles vieram de diferentes partes da França e mesmo da Bélgica, apesar das dificuldades de transporte devido à greve geral. Ees estão dispostos a ampliar a campanha para denunciar a presença constante, em todas as lojas, dos produtos de criminosos de guerra israelenses.
fonte : http://www.europalestine.com/spip.php?article5404

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PLATINI AMEAÇA EXPULSAR ISRAEL DA UEFA

O presidente da UEFA- União Europeia das Federações de Futebol- ameaçou expulsar clubes israelenses dos torneios europeus devido à perseguição ao futebol palestino


Para jogar nas competições europeias, especialmente as de futebol, os países devem cumprir com uma série de princípios democráticos e de respeito às seleções dos outros países. Se não fazem isso, não podem pertencer a União das Federações Europeias de Futebol. É o razoável e assim tem se manifestado o próprio presidente a UEFA, Michel Platini.

Nos últimos anos, o país, membro da UEFA, que mais reiteradamente e manifestamente tem rompido com estes princípios básicos é Israel. Não só impedindo sistematicamente a construção de estádios de futebol e a realização de partidas na Palestina, mas também proibindo os jogadores da seleção palestina de sairem para disputar fora de casa, incluindo amistosos.

Durante o mês de setembro, membros da Federação Palestina de Futebol se reuniram com Michel Platini para demonstrar sua inconformidade com as políticas autoritárias de Israel . O detonante mais recente foi em relação a uma partida que ia ser disputada na Mauritânia, em 11 de agosto. Israel negou a saída a seis jogadores da seleção palestina. Ou seja , impediu a saída de pessoas de um país que não é o seu, por razões de “segurança nacional”.

Diante destes acontecimentos vergonhosos, Platini declarou que "aceitamos que Israel seja da Europa (futebolisticamente), de modo que deve cumprir com nossas leis e normas, incluindo garantir o livre movimento dos jogadores” , e acrescentou: "Israel deve escolher entre permitir que o desporto palestino prospere ou enfrentar-se com as consequências a que pode levar seu comportamento”.

É claro que o grande Platini não tardará a ser objeto de críticas na Internet e nos jornais por centenas de voluntários sionistas. Certamente financiarão a outro candidato para a renovação do mandato do presidente da UEFA, e farão todo o possível para afundar e assustar Platini. Esperemos que, pelo menos uma vez, se imponha a coerência e a justiça.

O futebol é o esporte nacional em Palestina. Milhares de jovens o praticam diariamente, em especial os mais jovens, nos campos de refugiados e acampamentos de verão. Nos fins de semana, o país vive com paixão os jogos do futebol europeu, principalmente o espanhol. Ninguém na Palestina ficará indiferente diante da pergunta: : " Madrid ou Barcelona?”. Eles só querem poder dizer algum dia com dignidade: " Seleção Palestina”
2010-10-14 / Fonte: Daniel Pérez Rodríguez

CRÔNICA DE UMA OCUPAÇÃO

Por ALI RAGHAB

Nos anos 30 a gente costumava bater uma bolinha na Palestina. Eu e meus amigos corríamos atrás de uma bola no final da tarde, sonhando que um dia iríamos jogar em algum clube. Foi naqueles dias que meu pai me contou sobre a seleção palestina disputando a Copa do Mundo. Eu e meus amigos vibramos. Quem sabe um dia a gente poderia vestir a camisa branca e preta, ouvindo nosso hino, vencendo Uruguai ou Itália.


Pouco tempo depois veio a notícia. A Palestina iria enfrentar o Egito nas Eliminatórias. Papai se animou e prometeu me levar até Tel-Aviv pra assistir o jogo. A minha alegria - e também a de meu pai - durou poucos dias. Até o momento em que a Federação convocou os jogadores. Na lista não havia nenhum muçulmano. Os britânicos, que dominavam nossa terra, aceitaram apenas os judeus.


Confesso que traí a pátria. Torci pelo Egito no primeiro e no segundo jogo. Eu não imaginava que nosso país seria representado por Berger, Reich ou um Fuchs qualquer. Perdemos as duas partidas de goleada. Papai ficou muito triste e um dia decidiu que o futebol também era nosso.
Pois é. De tanto reclamar, os ingleses prenderam papai durante alguns dias. Depois que ele saiu da cadeia me abraçou comovido e o futebol morreu pra mim. Vendo seu rosto marcado pelas pancadas e pelos maus tratos, não me permiti continuar a jogar aquele jogo cruel e desumano. Toda vez que eu imaginava um jogo, eu via a imagem do meu pai sendo levado pela simples razão de querer que seu povo pudesse jogar uma simples partida de futebol.
Trecho do livro 'Intifada e Futebol', coletânea da ONG 'Free Palestine'